Gaeco deflagra Operação Faenerator e bloqueia R$ 621 milhões por agiotagem e lavagem em Imperatriz
MPMA aponta grupo que financiava empreiteiras com juros de até 4% ao mês e lavava os recursos há pelo menos nove anos; Justiça autorizou bloqueio patrimonial recorde.
O Ministério Público do Maranhão, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Faenerator, mirando um núcleo financeiro suspeito de praticar agiotagem e lavagem de dinheiro em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências, sedes de empresas e propriedades rurais, e a Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 621.455.220,00.
A ação é conduzida pelo Núcleo Regional de Imperatriz do Gaeco, com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e da Polícia Militar, e tem respaldo em decisão da Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados. Segundo o MPMA, a operação aprofunda apurações que já vinham de três investigações anteriores do Gaeco — as operações Regalo, Timoneiro e Pavimentum —, voltadas a irregularidades em contratos e obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Imperatriz (Sinfra).
Empréstimos a empreiteiras e ocultação de valores
De acordo com as investigações, o grupo funcionava havia pelo menos nove anos como financiador de empresários que precisavam de dinheiro rápido para iniciar obras públicas, manter o caixa ou cumprir compromissos financeiros, entre eles empreiteiras já investigadas por desvios de recursos da Sinfra. Os empréstimos eram concedidos sem garantias formais, com juros de 3,5% a 4% ao mês mais encargos por atraso, e as dívidas eram controladas por cheques e notas promissórias mantidos fora do sistema bancário.
Paralelamente, segundo o MPMA, o grupo usava pessoas físicas, empresas de fachada e diferentes operações financeiras — transferências bancárias, Pix, depósitos fracionados, contas de passagem e saques em espécie — para ocultar a origem e a movimentação dos valores. Como exemplo da incompatibilidade patrimonial identificada, a apuração cita uma clínica odontológica que declarava faturamento médio mensal de cerca de R$ 13 mil, mas movimentou R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024.
Bloqueio patrimonial e próximos passos
A decisão judicial autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de ativos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e outros bens ligados aos investigados, além da extração e análise de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos. Segundo o MPMA, os recursos lavados eram reinseridos na economia formal por meio da compra de bens de luxo, e as apurações também identificaram pagamentos de obrigações pessoais em favor de agentes públicos e de pessoas expostas politicamente (PEPs).
O nome da operação remete ao termo latino "faenerator", que significa agiota. O Gaeco informou que ainda está apurando o montante total de bens efetivamente apreendidos e que outras diligências estão em andamento.